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segunda-feira, 3 de maio de 2010

O grande mistério

O texto "O Grande mistério"  foi o vencedor de um Concurso de redação promovida pela minha mana professora no Colégio Américo Franco de Poá/SP.
As meninas da prof. Cássia são do 7°ano e o singelo texto ainda me dá uma esperança nessa juventude. Faço questão de postar e incentivar!

Parabéns meninas! Texto de: Heloisa, Ana e Flávia - 7°ano Colégio Américo Franco.

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O grande mistério

Era uma vez um duende que morava na floresta e teve um dia muito agitado!

Quando chegou em sua casa na árvore foi dormir, mas durante seu sono teve um sonho estranho que ia ficar rico e iria achar um tesouro, não sabia do que em um castelo abandonado, mas quando acordou, pensou que era apenas um sonho bobo!


Um dia depois estava andando na floresta e viu um castelo como no seu sonho, ele entrou e se deparou com uma bruxa gorda, feia, porca, nojenta, parecia que não tomava banho e não escovava dente a séculos, e tremeu de medo, correu e encontrou um mágico, eles se esconderam e conversaram.


O duende Joca contou o acontecimento e o mágico Rick disse que no castelo tinha um tesouro, ninguém sabe do que, e só um ser mágico poderia desvendá-lo e matar a bruxa e o duende poderia ser o ser mágico, poderia desvendá-lo e matar a bruxa, e o duende poderia ser o ser mágico!
O duende achou ridículo, mas por um momento pensou que poderia ser verdade, mas disse a Rick:

- Eu sou muito pequeno, nunca irei achar o tesouro e matar a bruxa!
- Você sabia que se matar a bruxa e achar o tesouro a floresta sempre vai estar protegida?
- Não
- Pois é verdade! Te darei uma fórmula da invisibilidade! Aí você se vira, se der certo, parabéns!


O duende tomou a poção, ficou invisível e rodou o castelo inteiro, chegou em uma sala sombria e viu um baú, aí ele abriu e de lá dentro características mais valiosas que o ouro apareceram como a sabedoria, inteligência, paciência, humildade e honestidade!

Quando ele viu a bruxa novamente, usou todas suas riquezas valiosas com a bruxa e ele a derrotou de forma esplêndida! Sem comentários.



Então para sempre a floresta foi salva da bruxa, e o Duende Joca se tornou um herói!
  
E toda Floresta foi grata por isso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Estrelas de Mel

Tenho dois convites para um baile a fantasia, vamo nessa?

Carlinhos foi pego de surpresa pelo convite do amigo Luiz, mas, aceitou. Nada por fazer num 

sabadão, uma baladinha assim do nada não seria nada mal.

- Pô Luizinho, vou ter que inventar uma fantasia, não tenho nada.
- Vamos montar q.q coisa, o importante é a gente surtar de tanto zoar!



Chegaram ao local, um salão estranho a princípio, todo preto por fora...(Festa estranha com gente esquisita?).


O convite é para duas entradas vips, ficaram no alto, subindo umas escadas, só olhando tudo q rolava embaixo.


Apesar da primeira má impressão inicial, a festa tava boa...Muita gente, várias fantasias, muita mulher, a galera se divertindo mesmo e "se pegando geral", festa regada a bebidas ice e o som nostálgico do flash house dos anos 80 nas pick-ups!!

Do alto Carlinhos avistou “a mulher gato” no balcão.


- Nossa Luiz!! Olha a gata!
- Qual, aquela com as tatuagens de estrela no pescoço? Ao lado da Mulher-Maravilha?


- Caraca, como vc enxergou isso? Ela mesma!
- Vc sabe que mulher com três estrelas tatuadas no pescoço é lésbica! Aposto que ela pega a Mulher-Maravilha! Rsrs...Luiz era um sádico!
- P...bobagem!!! Isso é lenda! É como dizer antigamente que homem que usava brinco só do lado esquerdo ou direito da orelha era gay! Deixa de ser burro, vou descer lá, a gata tá me olhando!




Carlinhos desceu, mas ao chegar ao balcão, perdeu de vista a gata.


Nem dois minutos depois, alguém cutuca seu ombro... Ao virar... Nossa! Era a “gata”.

 
- Meu nome é Mel, tá a fim de gole? Esticando o copo com
uísque, todos na festa, em sua maioria com ICE e a mulher de uísque com energético!
- Prazer, Carlos...


Mel, estava estonteante, aquela fantasia de mulher gato, tão óbvia, nela estava maravilhosa, a roupa de couro toda colada no seu “corpo-pêra” com um zíper na frente, botas e chicote completava o look, juntamente com a máscara no rosto, sem aquela touca com orelhas de gato, apenas a máscara, denunciavam uma de suas armas...o olhar...Os cabelos, caídos nos ombros, castanhos, ruivos, pretos, loiros ou castanho-claros, não dava para definir, devido a iluminação da festa, ora azul, ora vermelho, ora verde.

Apenas as marcantes estrelas no pescoço...

Carlinhos, que se achava o pegador, mal sabia... Mel o escolhera...


Ao devolver o copo para Mel, nem deu tempo de tentar uma de suas cantadas padrões, Mel o agarrou e o engoliu num beijo tórrido e quente.
Subiram para área VIP, onde existia certos “cantinhos” com belos, confortáveis e convidativos sofás... A área VIP, era realmente,, muito VIP!

E sem contar que os seguranças aliviavam um pouco mais, faziam uma vista grossa...

Carlinhos tentava toma as rédeas, as iniciativas... Mas Mel, era implacável... beijava, comandava, suspirava, lambia, cheirava, fungava...

Tinha um perfume louco, inebriante,único, devastador...puro afrodisíaco!

- Vamos sair daqui! Conseguiu falar algo o pobre vampiro (foi o que deu para montar de fantasia com um velho fraque de seu guarda-roupa), achando que comandava alguam coisa!
- Não.


Mel era direta, infática. Carlinhos não mandava nada.


- Vc é maravilhosa...
- Cala a boca! 


Mel, após essa ordem...Baixou o zíper da roupa de couro, denunciando que saiu de casa somente com a fantasia...
Carlinhos não acreditava, os seios de Mel na sua frente, sem pudor, sem medo, belos e tesos... Naquele canto, naquele sofá, e ele imaginando sendo expulso pela segurança da casa...parou de pensar...mergulhou...


Depois de muito tempo de pegação, idas e vindas do banheiro, beijos, apertos, amassos, lambidas e marcas, ICEs, uísques e vodcas, Mel subiu seu zíper sem avisar nada, como era praxe... 



- Tchau...Tenho que ir.
- Como assim tchau? Onde vc vai? Carlinhos estava tonto...nunca virá uma mulher assim...De caçador, sentiu-se caça...
- Eu te levo ...(Se achando "o esperto").
- Relaxa, estou com meu carro e acompanhada.


(Acompanhada)...Carlinhos não entendeu mais nada.


- Me dá seu telefone!! Ou anota o meu!! Carlinhos estava doido, não podia deixar escapar, precisava vê-la de novo...

- Não...nada de telefone – Mel já levantando e quase saindo...
- Espera...Carlinhos tentou segurá-la sem sucesso, além de tudo, Mel era forte, ágil, decidida...antes de descer as escadas encontrar com a “Wonder Woman” que já a esperava impaciente, olhou pra trás e disse: - A gente se vê na festa do armário!
- Que festa é essa?!?! Onde? Quando? Carlinhos já gritando...

- Se quiser me ver, vc vai descobrir...

Mel foi embora, deixando Carlinhos atônito, louco, sedento...
Já tinha ouvido falar em festa do cabide, agora, festa do armário!! Que era isso?!

Quem era essa mulher? Quem era Mel? Precisava encontrá-la de novo!

Pior que com a iluminação e o alcool na cabeça, nem dava para lembrar de seu semblante direito, seus cabelos que cor seriam? Nem imaginava...Só lembrava das benditas estrelas tatuadas, de tanto que as viu bem de perto, ao chupá-las no pescoço de Mel, próximo a sua orelha...

Carlinhos encontrou com Luiz e ficou buzinando o resto de noite que faltava, ficou pentelhando ele com as histórias daquele sofá VIP.


Mas a pergunta que perduraria na cabeça Carlinhos por muito tempo, a qual estava disposto a desvendar inicialmente, e que exigia que Luiz soubesse, pois era sua única chance de encontrar Mel de novo era:

- Que P...de festa do Armário é essa?


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Esse conto lembra e vale a penar rever:

Paixão uma linha tênue

Razões a flor da pele

A mulher que mais amou


 

sábado, 20 de junho de 2009

DF - Um distrito, um conto...

E de repente tudo fez sentido de novo.

A chuva em pleno verão. O sal respirado em brisas litôraneas.
Ele acordou no meio da madrugada, olhou para o lado e confirmou com sorriso bobo e feliz: Ela está aqui comigo!
Não era sonho, não mesmo...Ela acordou e fizeram amor de novo.

Chovia...mas logo amanheceu, Uma manhã diferente. Não cansavam-se de sentir um ao outro e em plena sala daquela casa litôranea, entregaram-se de novo, com a porta aberta e somente aquela chuva de testemunha...

E seguiram os dias daquela fuga...só os dois...sem sentidos, concedidos.
Meu amor por vc vai além de qualquer explicação dessa vida, ela disse olhando em seus olhos, sentindo de novo a brisa.

Voltaram a vida normal depois de alguns dias. Ele deixou-a em casa e foi para sua, não sem antes passar no aeroporto, encontrar a esposa que voltava de viagem...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Razões a flor da pele

Eles se pegavam...

Lucia e Alberto viviam se pegando...

Conheceram-se nos idos de 1997. Mas tinham certeza de que suas almas já se conheciam de longa data.

Bastava um encontro, casual ou não. Já estavam se agarrando, se beijando, se devorando.
Colecionavam histórias particulares de transas no escritório, no carro, nos motéis e onde desse vontade.

Não entendiam o que era aquilo, tinham uma energia juntos, algo diferente, mágico, único, só deles. Passava uma semana, um mês ou um ano, não importava, qdo encontravam-se, entregavam-se um ao outro, com intensidade...

Vc pode dizer, normal, um relacionamento baseado no sexo. Amizade colorida tradicional.

Não.

Não era só isso. Eles tinham algo a mais. Davam-se bem, conversavam sobre tudo, combinavam quase com tudo, tinham os mesmo gostos, sentiam a falta um do outro, mas, nunca...Nunca namoraram.


Se auto-nomeavam para quem perguntasse somente como: amigos...

Estranho... Simplesmente...Não tocavam no assunto...Gostavam-se...Conversam de tudo,trocaram confidências que com ninguém mais falariam, conheciam seus mais intímos segredos, mas, nunca falaram em namoro, ou assumir uma relação.
Nem qdo Alberto começou a namorar em 1999. Continuavam a se encontrar. Nada combinado. Não achavam sinceramente que estavam traindo ninguém. Nem comentavam sobre seus “oficiais”. Não zombavam deles, não inventavam desculpas nos relacionamentos para se verem. Tinham a história deles e acostumaram-se a separá-la do resto do mundo.

Seus relacionamentos não duravam...como esse de Alberto em 99 que logo findou-se.


Não era traição, não era safadeza. Assim achavam, de verdade...Não era também uma desculpa para se pegarem...Não sentiam que estavam fazendo nada de errado, ninguém sabia além deles dois somente, Alberto não vangloriava-se para ninguém, Lucia não confidenciava a nenhuma amiga.

Tinham cumplicidade, amizade, do jeito deles...Amavam-se.
Inexplicavelmente, precisavam, necessitavam um do outro, completavam-se.

- Alberto, tenho novidades, estou namorando! – Lúcia deixou um recado no orkut dele.

- Nossa, que legal, fico feliz por vc e espero que ele esteja te tratando bem hein!!

– Ele respondeu sinceramente.

- Precisamos nos ver para por o papo em dia, faz muito tempo que não nós vemos.

– Eles não se viam a bem uns 2 ou 3 anos. - Claro, claro...Quem diria que te encontraria aqui hein!(qdo começaram a amizade não existia o famigerado orkut).

Atualizaram seus telefones e marcaram de se ver.

Não dava certo, nunca combinava as agendas...O tempo passou. Aquela “pegação” acabou...Pensou Alberto.

Ledo engano.

Conseguiram encontrar-se,a mesma energia rolou.

Achavam que com um pouco mais de maturidade, aquele fogo acabaria.

Ledo engano parte 2.

Encontrara-se e deram um abraço de quase meia hora. Sentiram a troca de energia intensa só nesse abraço!

Almoçaram...beberam, conversaram, trocaram carinhos e olhares... e...Motel...sem pestanejar...sem dúvidas...sem encucacações...sem encanações.

Sabiam bem o que queriam e definiam isso apenas com gestos...

Mais uma vez foi ótimo, incrível a sintonia desse quase casal. Convenciam-se de sua amizade...como diz a canção: "então tá combinado, tudo é somente sexo e amizade".

Logo após a entrega Lúcia mandou: – Alberto, essa é nossa última vez!
Como assim? Assustou-se Alberto.
Como eu te falei, estou namorando, só que vamos morar juntos!
Vão casar?
Não...só morar juntos.
Para mim é como se fosse – Alberto não entendia o que estava sentindo. Ciúmes? Nunca tiveram um do outro, pelo menos não declarado, Posse talvez...não sabia..afinal, eles nunca conversam sobre isso, era um pacto, uma regra silenciosa, acordada apenas com os olhos. Regra que sem querer estava sendo quebrada.

Como terminar algo que nunca começou?

Lúcia tb não entendia nada, nem o porque dessa decisão.

Ele me trata bem sim – dizia ela quase que tentando se convencer.

Naquele dia, nada mais foi dito do assunto, como sempre. Entregaram-se mais uma vez um ao outro, com a certeza que era a última, portanto com mais vontade,desejo, tesão, entrega total...

Despediram-se como se o assunto nem tivesse sido dito...

Alberto chegou em casa com a estranha sensação de vazio.

Lucia começou nova vida...com a certeza de que estarão sempre ligados, assim mesmo. Mas que aqueles encontros não aconteceriam mais.

Passaram uns 7 ou 8 meses desse encontro, Alberto conheceu Mônica e engatou um firme namoro, era a mulher dos seus sonhos, doce, carinhosa, compreensiva, gostosa, etc, etc...Era um passo para pensar até em casório, pensava ele.

Pegou o telefone:

– Alô? - Lucia? Oi,Sou eu, Alberto, Tenho novidades, estou namorando!

- Nossa, que legal, fico feliz por vc e espero que ela esteja te tratando bem hein!

- Precisamos nos ver para por o papo em dia, faz muito tempo que não nós vemos...

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Mulher que mais amou

Sentiu sua falta.
Lembrou de todos momentos vividos...
De cada respiração, cada beijo...
O Toque de sua pele que fazia tremer todo seu corpo, o deleite intenso de sentir seu colo.
Encostava seu peito junto ao dela, seus seios pareciam saltar, tamanha intensa e quente palpitação de seu coração.
Sua presença, hoje não mais existente, pessoalmente, todo dia, todo fim de semana como antes, mas ainda sentida na aura de uma ou mais vidas.
A cada pensamento, a cada notícia, a cada telefonema de aniversários, a cada msg enviada, a cada conversa compartilhada...
Era forte, és forte, é verdadeira, é única;
Seus cabelos sempre castanhos, ora negros, raramente loiros;
Seu olhar igualmente castanho, intenso, esverdeado e imenso;


Sua imagem cravada na mente, desenhada na alma, faz com que ele repense todos seus passos, reviva sonhos, relembre noites, revire gavetas, imagine tudo de novo.
Seu sorriso, o mais mortal das mais belas imagens. Destrói qualquer tipo de desânimo, de ranço, encanta qualquer ser vivente, preenche todo ambiente.
Intensos momentos vividos, compartilhados...suores em lençóis trocados...pele...de novo e sempre pele..arrepia, induz, contagia...quente..muito quente...contato extremo de um amor perdido, sentido, vivido e sumido.


Mas, na mente dele...ainda existe, forte, carimbado, tatuado na alma...
Sentia o seu cheiro...delicado e selvagem todos os dias...a mente dele traz esse entorpecido cheiro de volta nas vezes que estás só.
Beijos...Beijos molhados, de saliva, de champagne, de vinho tinto. Beijos acomodados e descansados naqueles lábios criminalmente carnudos, grossos...Quentes...Elétricos...Eternos...

Toque, sempre o toque...suas ancas nas mãos dele, entrelaçados em si, como se um só, sentia que ela era sua...lindamente sua...totalmente nua.
Sua respiração ofegante, num momento de entrega, suas pernas trêmulas fez com que ele a pegasse no colo e a protegesse, admirando e zelando pelo seu leve sono. Olhando e sonhando em tê-la eternamente para ti, mesmo sabendo que não a terá assim.

Paixão? Não...pois não passa...jamais passará. ELE sente isso...Amor? Se foram fadados a não vivê-lo, viverão um dia, de novo, como foi a cada momento passado, arranhado e banhado...banhado...a intensidade da energia trocada.
Se ele a ama? Não confirma, não afirma e não nega; Quer a ânsia da dúvida para tê-la contigo de novo e continuar a ter dúvidas, mas com a única certeza de seu intenso calor de amor. Amor maduro, da idade adulta, num momento maduro...Com toda essa certeza da maturidade, mas parecendo adolescente de tão intenso.

E assim é, assim foi, assim será...A mulher que mais amou...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Tudo é 300 !

Não sei se é sinal da inflação, ou se é perseguição comigo... Mas, lembro que há um tempo atrás, qualquer coisa básica que queria fazer, ficava "100 conto" ou como dizia um amigo meu, ficava uma onça (R$50,00). Bom, acontece que agora...tudo é R$300,00!!

Não tinha notado essa estranha coincidência, mas lembro que fui fazer um orçamento de uma pequena reforma em casa. Me indicaram um pedreiro, que olhou, analisou e falou para mim: - Bom, o serviço aqui, para vc que é meu amigo (detalhe, eu tinha acabado de conhecê-lo) eu faço R$ 300,00!
Pronto...tinha começado minha saga dos 300! Ou a perseguição dos 300, pois não é possível!!

To a fim de um som novo para meu carro, (que diga-se de passagem, não comprei ainda) entrei no site de compras...pesquisei os em promoções...fui no mais barato e...batata...R$ 300,00!


Tive uns probleminhas com minha caranga, (outra hora eu conto aqui, a história é longa!) deixei ele no meu mecânico que qdo olhou superficialmente já me disse: - Pode reservar uns 300 paus! rsrs...
Depois de tirá-lo do mecânico, o mesmo me avisou: - Olha a mecânica ficou legal, mas leve seu carro a um eletricista, a parte elétrica dele não tá muito boa.

Segui o conselho dele e já tava esperando o eletricista me falar que o serviço ficaria o valor do maldito R$300,00! Após acabar, veio a conta : R$ 140,00!! Fiquei feliz pra KCT!! Pensei: Enfim algo que não é R$300,00!! Tudo é R$300,00!!

Assim que fui levar meu carro embora o eletricista me alertou: - Sua bateria não tá boa, aconselho a trocar!

Quanto tá a bateria? perguntei...e ele me responde: R$ 160,00! ....

PQP!!!! 140 + 160 = 300!!!!!!!!!

É perseguição...só pode ser, vou jogar esse número, quem sabe eu não ganhe uns 300 mil reais só para variar um pouco, que saco!!!

Tudo bem que R$ 300,00 não é tanta grana assim (pensando bem é sim!kk), mas vá somando 300 aqui, 300 lá...estoura o orçamento de q.q um...e haja cheque voador e cartão!

Só resumi alguns dos fatos mais recentes, pois fui relembrar e não vou ficar enumerando, tudo é R$300,00 mesmo..qualquer coisinha miníma hoje em dia é 300 paus!! Minha mana sabe bem o que to falando! Ela vive me acompanhando nessa saga dos 300!!

Bom, dia desses atrás...recebi um telefonema, uma amiga minha (aquele tipo de amizade boa, de várias cores,rs) me convidando para ir na casa dela, ela não tava a fim de sair, tava um friozinho e ela queria assistir um filme com o amigo aqui!

Opa, já me animei...ela ficou de alugar o filme, eu levaria o vinho...que beleza!

Cheguei na casa dela com o vinho na mão, entrei...começamos a tomar o vinho, acompanhado de pestiscos excelentes que ela tinha feito...Tudo perfeito...A coisa começou a esquentar e ela me falou: - Vamos assistir o filme?

Demos aquela parada básica nos ânimos...hehe...vamos ao filme...ela foi ao banheiro e pediu para eu ir colocando o DVD que estava na estante...abri a embalagem em que estava o DVD e não acreditei...começamos a assistir mas não terminamos, tinhamos coisas mais interessantes a fazer, não me empolguei a assistir, nem "depois", mais tarde...só vimos o comecinho mesmo...Não queria saber daquele filme, que até hoje não assisti ainda!

Mas também, só podia ser perseguição, não era possível acreditar!...O nome do filme? Não podia ser outro...300!...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Conto - Paixão, uma linha tênue.*

"O Segredo é a alma do negócio", isso era o que sempre dizia Carlinhos.
Mas após conhecer Ana Paula, passou a repetir sempre que: "Homem apaixonado é uma bosta!" É pior que mulher!

Carlos Alberto, ou Carlinhos como era conhecido, não era exatamente um cafajeste fdp em relação as mulheres, era apenas um caçador...um galanteador e conquistador no melhor e verdadeiro estilo "come quieto" mineirinho.Não que ele não tenha se apaixonado ainda, aliás, como dizia seu amigo Luis, Carlinhos se apaixonava de 5 em 5 minutos, bastava uma nova mulher pintar no pedaço e Carlinhos já falava a Luis: - Cara, tô apaixonado!

Luis (esse sim era um cafa fdp com as mulheres e gostava disso, de mineiro não tinha nada, gostava de se exibir) já nem ligava mais e só se dava ao trabalho de responder: - De novo vc quer dizer né Carlinhos?!
Mas Carlinhos estava prestes a conhecer realmente o significado da palavra paixão e do termo "paixão de verão".
Era um dia aparentemente normal no escritório, desses entediantes e monótomos, mas Carlinhos ao olhar para o "hall" do elevador, numa área comum, onde podia-se fumar, viu uma incrivelmente linda mulher - era Ana Paula, uma funcionária nova recém contratada do setor de Call Center da empresa.
Lá foi ele, chamou Luis e mandou: - Cara tô apaixonado!
Como sempre, Luis descrente das paixões relâmpagos de Carlinhos, comentou que daqui 5 minutos passaria essa paixão!
Não brother, é sério! Dessa vez é pra valer!

Luis sabia, sem muita certeza ou provas, que Carlinhos era um daqueles conquistadores tipícos, ele enumerava os casos de Carlinhos sem que o amigo confirmasse, nem mesmo a ele Luis, que era seu melhor amigo. Mantinha-se fiel a sua "mineirice".
Mas Carlinhos estava arrebatado, sentiu mesmo algo diferente de suas outras conquistas, não sabia o que era, imaginava que era o tal "amor a primeira vista", não importava...não perdeu tempo...foi ao hall..."fumar" um cigarrinho, ele que era um fumante "eventual"...comprava cigarros para conquistar mulheres fumantes em baladas. É um início de papo ao menos, sempre repetia.
No hall, puxou assunto com Ana Paula, não era difícil para ele...de conversa mole e "bom de bico", logo firmou uma "amizade" com Ana.

Ana Paula era realmente linda e encantadora, com seus cabelos côr do Sol e olhos castanhos escuros, quase negros, tinha um olhar petrificante e mortal, daquele tipo de mulher que tira seu folêgo só no olhar, repetia Carlinhos em pensamentos a si mesmo. De corpo escultural, bem distribuídos nos seus poucos mais de 1,60m de altura.

O incrível foi que Ana Paula se encantou com Carlinhos! Sua conversa mansa e educada impressionaram de verdade a moça!

Carlinhos não perdeu tempo, chamou-a para sair. Um barzinho para um chopp ou suco, dizia ele, isso em poucos dias de conversa no famigerado "hall".
Ana Paula topou, a tempos não se sentia tão cortejada. Foram a um restaurante tradicional no centro de Sampa, escolhido a dedo por Carlinhos.
Carlinhos estava nervoso, pela primeira vez, pois sempre dominava esse tipo de situação em suas outras tantas conquistas, mas tava meio sem saber o que fazer, o que falar, coisa que não durou muito.

Ao invés de chopp ou suco tomaram um vinho branco, ele queria fazer diferente dessa vez. Na segunda taça, após aquele lenga-lenga inicial padrão, mandou na lata: - Quer namorar comigo? Assim, tão cafona e antiguado como ele jamais faria num encontro comum, com intenções apenas de "pegar" a garota.
Ana não se surpreendeu, ela não entendia o porque, só sabia que estava maravilhada com aquele homem tão diferente e encantador como nunca havia conhecido!
A resposta dela foi mais direta até do que a pergunta: - Sim , claro, quero muito!
A partir desse dia, suas vidas mudariam tão rapidamente, que nem notariam.

Passaram a se ver praticamente todo dia, era início de novembro, horário de verão a pino, calor no final de q.q expediente. Ela do setor de Call center, ele no mesmo andar, só que na contabilidade, matavam o calor nos barzinhos centrais de sampa. Até o tradicional Terraço Itália foi testemunha de tanta paixão!

Tudo foi muito rápido, em semanas conhecera um a família do outro, a casa do outro...Viajaram juntos, foram a festas e baladas juntos, transaram loucamente ou faziam amor, como preferia dizer Ana Paula...Vc é perfeito!! Onde vc estava que não te achei? Não cansava de repetir a Carlinhos...ela estava impressionada cada vez mais com a dedicação, gentileza, carinho e sexo da melhor qualidade que Carlinhos oferecia. Ele realmente estava dedicado, não olhava mais para o lado...Estava sério, não paquerava, não falava de outra mulher se não a sua "branquinha" como gostava de chamá-la. Ana também apaixonara-se.

Fizeram planos...muitos planos...já estavam escolhendo o apartamento para comprarem...já tinha escolhido o nome do primeiro filho...aliás, filha! Gosto em comum dos dois...o primeiro será "a" primeira filha...repetiam empolgados!
Todos amigos espantaram-se com as mudanças de Carlinhos. Tudo era Ana...Aninha pra cá, branquinha pra lá...isso,claro quando ele tinha tempo para os amigos, pois viviam mesmo grudados...enjoadamente...só eles mesmos não percebiam o "gasto excessivo" e sem medida de um amor locomotiva!
Os sinais da paixão de verão começariam a surgir...Após o natal na casa da "sogra" e um ano novo na praia com Ana. Tudo perfeitamente lindo, virada, fogos, amigos de branco...e o casal mais feliz do mundo...tinham certeza que era para sempre! Mas veio o primeiro teste da realidade: Carlos era um rockeiro convicto, radical, nato, qualquer som ou tom musical que não fosse Heavy Metal, hard rock ou simplesmente fazer parte do Rock ele condenava...era radical...era...
Ana Paula era sambista, de raiz...Até aí tudo bem. É bom ter umas diferenças, se não a relação fica muito chata, convencia a si mesmo Carlinhos.
Ana desfilava no sambódromo paulista, era sagrado...e para todo sambista que se preze em desfilar, há que se ensaiar!
Carlinhos nunca em sua vida se imaginou, nem em sonho, muito menos em pesadelo, botar os pés numa quadra de escola de samba. Bom, não era a intenção também de Ana, respeitava os gostos de Carlinhos e vice e versa.
- Hoje tem ensaio, vc me deixa na quadra amor? Perguntou Ana num final de semana.

Carlinhos começou a sentir ciúmes, muitos ciúmes, descomunal! Mas, não deixou transparecer. Era bom nisso...apesar de que, dessa vez, andara perdendo suas habilidades com sentimentos.
Levou-a até a quadra, mas ao chegar lá, o impensado ocorreu: Vou entrar com você! Disse ao chegarem, para espanto de Ana.
- Não precisa fazer esse sacrifício amor! Você odeia samba!
- Quero conhecer outros ambientes. Principalmente os seus, afinal vamos casar...não posso fazer parte da sua vida pela metade. Se isso faz parte da sua vida, logo fará da minha também!

É, o cara era bom com as palavras, Ana derreteu-se toda e ficou feliz no fundo...preocupada sim, mas feliz!
Entrou, olhou, tomou uma cerveja...tentou balbuciar algumas letras se samba do ensaio...só para agradá-la..só não sambou, isso era impossível conceber!
Sua amada se descabelava, sambava como louca (o que deixou-o mais enciumado ainda, mas conteve-se). Foi embora antes dela...sua prima estava no local de carro, voltaria com ela e ele não aguentava mais aquele suplício...mas fez por ela...sempre por ela.

As semanas seguiram da mesma forma, continuaram se vendo todo santo dia. A facilidade de trabalharem na mesma empresa era vital para tanto "grude" dos dois, pois moravam a Kms de distância um do outro (que não chegava a ser um problema para eles, atravessam toda a extensão da famosa Marginal para se ver). Estavam realmente apaixonados.
Foi numa quarta ou quinta-feira estranha. Ana precisou sair mais cedo do serviço para resolver algumas coisas com sua comadre, nada demais. Se falariam a noitinha como sempre, por telefone. Carlinhos até gostou, estava a poucos dias do aniversário dela e ele precisava de um "espaço" para comprar o presente dela, tinha escolhido o celular mais caro e moderno da época...presente com intenção de agradar sim, mas também para "monitorar" a amada.
Só que a noitinha, após chegar do serviço, Carlinhos não conseguiu falar com Ana Paula. Não estava em casa ainda, não havia chegado do serviço, falou "a sogra" do outro lado da linha.
Resolveu ligar na casa da "comadre" dela, afinal , saíram juntas.
- Não a vi hoje ! Aquela resposta da comadre, gelou seu coração. Um monte de asneira começou a vir na cabeça.
Ligou quase que de 5 em 5 minutos para a comadre, estava insano, nervoso, doente! Numa dessas ligações, a comadre finalmente disse que ela estava chegando, que tinha ligado para ela, para Carlinhos ficar tranquilo, ela só estava resolvendo umas coisas...
Isso não o acalmou, pelo contrário..deixou-o mais nervoso: O que ela estaria fazendo? resolvendo o que? com quem? porquê não ligou para mim? Estava descontrolado, como nunca antes...como nunca com mulher qualquer...Carlinhos...era outro...
Seguiu a noite e só conseguiu falar com Ana Paula após ás 00:00hs (meia-noite) na casa dela por telefone.
Onde vc estava? Tava com quem? fazendo o que? Carlinhos berrava sem parar no telefone, estava transloucado...pronto...era a primeira briga do casal perfeito em 3 meses.
Amanhã a gente conversa - disse ela também nervosa.
Carlinhos mal dormiu, no dia seguinte no "hall" do elevador, hora do café...Carlinhos foi cumprimentá-la com um beijo, estilo selinho, como sempre...ela beijou-o friamente, sem olhar em seus olhos.
Vendo a frieza dela, Carlinhos desaba a falar: - Me desculpa por ontem, estava nervoso, fiquei preocupado, ouvi falar num acidente na marginal...imaginei bobagens com vc pela rua! Carlinhos já não raciocinava direito...
Ana Paula mal falava...propôs conversar ao final do expediente, fora da empresa.
A conversa numa praça central de São Paulo, foi quase um monólogo, Carlinhos se desculpava, Ana quase nada balbuciava.
Não vai acontecer de novo...desesperava-va Carlinhos com o "gelo" de sua branquinha.
Não mesmo! Disse ela...quase que cravando uma faca no peito de Carlinhos...sabe, era aquele tipo de conversa com poucas palavras de Ana, mas que olhares e gestos diziam tudo!

Ana queria por um ponto final, só não sabia como falar...admirava...eu disse "admirava" muito Carlinhos, pela pessoa que era, o homem honesto e dedicado como ela nunca conheceu...deixou isso bem claro mais uma vez!
Carlinhos logo percebeu tudo e num ímpeto , recobrando sua boa e velha sanidade, discernimento e perspicácia, a ajudou: Você que terminar né? Já mais calmo, ou mais conformado.
Ao que Ana respondeu um "é" quase que ináudivel. Carlinhos adiantou as coisas, não entendia como nem porque, nossa primeira briga e terminamos ? pensou...não quis esticar seus pensamentos, só pioraria...Já sabia que era o final. Estranhamente concidente com um dia antes do aniversário de Ana. Também não queria pensar nisso...ela nem quis saber do presente que ele tinha para ela, nem saber o que era.
Ana jurou que não tinha "um outro alguém", coisa que Carlinhos, obviamente, não acreditou.
Não importava..doía muito sim...mas não importava mais.

Não fuma tanto assim Carlinhos - dizia ela, com lágrimas nos olhos, para ele antes de subir no seu ônibus com destino a Zona Sul, seria o 10° "buzão" que perderia! Ela tinha razão , Carlinhos era a própria "Maria Fumaça" , um atrás do outro, acendia o próximo com a bituca do último e Ana culpava-se, pois era fumante sim, Carlinhos não...ele era o "eventual" fumante...fumava só de sarro por anos a fio sem viciar, até conhecê-la.
O ônibus partiu...Carlinhos se sentiu num filme ou novela, era tragicômico, estava incrédulo e pela primeira vez...chorou por uma mulher...Era castigo! Tinha essa certeza...por outras tantas mulheres que ele fez chorar, fez sofrer, mesmo que "sem essa intenção".
Ficou por mais umas 3 horas sem notar o tempo, naquela "maldita" praça!


Acabara ali os exatos 3 meses de uma "paixão de verão".

Foi uma semana terrível no serviço...Carlinhos mal trabalhava, mal comia...Luis, seu amigo tantava animá-lo sem sucesso...- Vamos pra uma balada brother? Melhor, vamos "prum" puteiro? Tentava Luis, sem êxito...Carlinhos não tinha ânimo nem mais para suas "putarias" antigas, todos perceberam sua apatia e desânimo, e nesse hora...só o tempo mesmo...acabou por se convencer disso o Luis.

Ana Paula, bom...Ana Paula sumiu!! Isso mesmo, saiu do serviço alguns dias depois de terminar com Carlinhos, pediu as contas, não deixou rastros.
Se tinha encontrado e voltado com algum "ex" namorado ou coisa assim, Carlinhos ficou com essa dúvida, preferia assim. Dóia menos, achava ele.

Alguns anos depois soube por intermédio do amigo de uma amiga da comadre de Ana Paula, que ela casou-se e tem uma filha linda, filha essa que quem viu, jura que é a cara do Carlinhos. Ele prefere não acreditar nem pensar nisso, seria muito cruel.

O mais impressionante disso tudo, foi que a dor de Carlinhos foi intensa sim , mas durou apenas uma semana! Exatamente uma semana.Ele foi apresentado a "paixão de verão" , chega e vai embora quase que com a mesma velocidade! Pensava nela ás vezes, mas sem aquela doentia obsessão. Pensava com carinho, mas não tinha mais paixão! Nem ódio, nem amor.
Até ele estranhou, mas voltou a ser o mesmo galanteador "mineiro" de sempre, para alegria e contentamento do seu parceiro e amigo Luis...Carlinhos ta volta! pensou.
Certo dia , Carlinhos foi até o setor de Call Center entregar um relatório contábil a gerência do setor.
Voltou eufórico, procurando por seu velho amigo Luis.

Cara, nem te conto...Tô apaixonado !

* "Paixão, uma linha tênue" é um conto de minha autoria e faz parte do livro que estou escrevendo ainda sem título definido; e que se Deus ajudar, acabarei de escrever e conseguirei publicá-lo.

Robs.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal

Msg recebida da minha amiga "Debs Mother" por e-mail - vale a pena ler. Robs.

Porque as pessoas ficam tristes no Natal?

Já chegava o final do ano, e as pessoas já traziam nos olhos aquele ar de imenso cansaço de quem vê mais um tempo se fechando na própria vida.

A menina tinha aquela estranha argúcia das crianças, para quem alguns detalhes da vida nunca passam despercebidos.

- Vó?
- Oi!
- Por que as pessoas ficam tristes no Natal?

A Vovó estava tomando se café, e quase engasgou com a pergunta. Essas conversas a gente sabe como começam, mas como vão terminar...

- Por que você esta perguntando isso, meu bem?
- Porque eu vejo, Vovó. No Natal, parece que só tem gente feliz dentro da televisão.

Mal pode conter o riso, da inteligência vivaz daquela menina.

- Sabe, querida, acho que as pessoas confundem um pouco as datas.
- Como assim?
- Algumas pessoas confundem o Natal com o Dia de Finados. Você sabe o que quer dizer o Dia dos Mortos?

Olhou para ela com aquela cara de "mais ou menos".

- No dia de Finados, lembramos das pessoas que não estão mais aqui nessa dimensão com a gente. Visitamos, levamos flores e conversamos com essas pessoas que moram em nossos corações, mesmo tendo partido de nosso convívio.

- Você vai visitar o Vovô no dia dos Mortos, não é, Vovó?
- Sim, meu bem, eu vou fazer uma visita para ele em meu coração. Converso, conto as novidades e fico com saudades das conversas que eu tinha no alpendre com seu avô.
- Por que você não vai ao cemitério, como todo mundo?
- Porque eu combinei com seu avô que iria encontrá-lo aqui na varanda, no alpendre, no pomar, nos lugares em que o nosso amor ainda está lá, vibrando, como uma música ...

A menina era curiosa mas não inconveniente. Percebeu que a Vovó estava muito emocionada e não queria vê-la chorar.

A Vovó, como sempre, adivinhou seus pensamentos.

- Pode continuar perguntando as coisas, meu bem... A Vovó se emociona um pouco mas agüenta o tranco...

- Vó?
- Oi!?
- O que tem a ver o Finados com o Natal?

- Algumas pessoas ficam tristes no Natal porque se lembram dos entes queridos que não estão mais ali. Olham para as mesas, as comidas, a árvore de Natal e só conseguem lembrar de festas antigas, onde a casa estava cheia, os filhos eram pequenos e a vida era mais simples. Vai passando o tempo e as pessoas ficam com essa coisa, essa doença de fim de ano que se chama "Antigamente-que-o-Natal-era-bom", e ficam suspirando na mesa com saudade de outros tempos, outras épocas. Isso que é um Natal-Finados, meu bem. Um Natal em que as pessoas ficam todas tão preocupadas com as perdas que não notam o encanto das crianças com o Papai Noel, nem a graça de mais uma ver reunir os vivos e aproveitar quem está ali em vez de pensar em quem partiu.

- E por que as pessoas tem saudade no Natal e não no dia de Finados?
- Acho que porque as pessoas acham feio ter um dia para a tristeza, meu amor. Acham que devemos ter datas só para alegria. Mas até o Carnaval tem a Quarta-Feira de Cinzas para a gente ficar triste...

A menina coçou a cabeça, o que era sempre um sinal de que iria desfechar uma daquelas perguntas sem resposta que a Vovó temia.

- Mas, Vó?
- Fala...
- Por que as pessoas tem que ficar felizes no Natal?

Pronto. Inverteu a pergunta, pensou a Vovó.

- Você falou que as pessoas só ficam felizes na televisão.
- Isso.
- Bem, minha querida, tem uma alegria de plástico na televisão. Uma alegria de Loja de Departamentos que não tem nada a ver com o Natal. Isso também deixa as pessoas muito tristes.

- Por que?
- Porque elas olham aquelas pessoas rindo, as famílias numerosas e felizes, as mulheres magras e maravilhosas, os homens lindos e seguros de si, envolta de Papais Noel gordos e sorridentes e pensam: os outros tem um Natal muito melhor do que o meu...

- E para que serve isso, Vovó?
- Para vender coisas, querida. Para as pessoas confundirem o Natal com os presentes, o que também é uma bobagem. Dessa vez foi a Vovó que coçou a cabeça.

- Pituca?
- Oi!

- Sabe, tem gente que nem lembra que o Natal comemora o nascimento de Jesus. Olham para o Presépio e acham que é um enfeite folclórico, com uma criança cercada de vacas e ovelhas. As pessoas perderam o sentido de Natal, meu bem, por isso não sabem mais se ficam alegres ou tristes nessa época. E você sabe qual uma das maiores graças do Natal, meu bem ?.

- Qual?
- Esperar por ele. É uma delícia esperar pela festa.
- Mas...
- O que?
- Eu vou ter que esperar muito?
- Não. O Natal já está bem pertinho..
- Mas...

A Vovó olhou com cara de que não-tem-mas-nem-meio-mas. A menina entendeu. Mas não deixou a velha senhora sem uma última pergunta.

- Vó?
- Oi!
- Quando você morrer, meu Natal vai ficar triste?

A Vovó aconchegou a menina, que já tinha algumas lágrimas querendo sair.

- Você vai ficar feliz, pois o amor que a Vovó sente por você vai estar vibrando, como uma música, envolta da árvore. É lá que eu vou te encontrar, combinado?

- Combinado.

A menina teve uma estranha sensação, como se um rena tivesse passado pela janela.

Devia ser um sonho de Natal.

Um Natal abençoado a todos - Robs

sábado, 17 de novembro de 2007

Conto - O dia que fiz luzes.

O Dia que fiz luzes.

Nunca pensei em clarear ou “aloirar” meu cabelo.
Mas o dia que fiz isso foi inesquecível!

Era um feriado, meu cabelo tava parecendo um emaranhado de q.q coisa, menos cabelos.
Não tinha nada para fazer, arrisquei ir a minha cabeleireira para uma aparada básica na cabeleira, uma que tava precisando mesmo, outra que minha cabeleireira era uma delícia! Valeria a pena, caso estivesse aberto o dito estabelecimento, ao menos para melhorar o dia e vê-la, sem contar que há tempos trocamos alguns olhares, digamos, diferentes!

Bom, cheguei no salão e sorte, estava aberto, e para completar vazio!

- Oi Laura, tudo bem? – Já cumprimentei com aquela voz melosa.
- Oi Sérgio, tudo bem e vc? Em pleno feriadão decidiu cortar o cabelo, que bom! – ela me respondeu com voz mais melosa ainda!
- Pois é Laura, e dei sorte hein, ta vazio!
- E aí o que vai ser? Vamos fazer algo diferente? Que tal umas luzes?
Dei aquela gargalhada, não sem antes olhar para suas belas pernas (ela tava de saia) e respondi:
- Nem pensar, luzes é coisa de boiola! Só um corte básico mesmo.
- Só isso que vc vai querer mesmo? Respondeu ela num tom misterioso, ou eu tava ficando louco, ou tinha uma certa malícia na sua pergunta.
Meio sem jeito respondi: - é, só isso mesmo.
- Ok, vou preparar tudo aqui.
Papo vai, papo vem e nada de corte, começamos a conversar e no meio do papo ela manda:
- Só abri hoje para me distrair, to sozinha em casa. Meus filhos estão com minha mãe e meu marido viajou.Que bom que vc apareceu, pois feriado aqui é sempre bem tranqüilo, não aparece ninguém!
Aquele comentário gelou minha barriga... e também me acendeu,confesso, já comecei a pensar um monte de bobagens.
- Vou pegar uns instrumentos na sala ao lado e já volto – disse ela.

Naquela altura já tava viajando, estava ali há um tempo e ninguém apareceu, para ajudar começou a chover e forte! Nossa agora é que ninguém aparece mesmo! Uma coisa são trocas de olhares e conversas mais calorosas, outra coisa é mexer com mulher casada, encrenca na certa, ou to sendo muito medroso? Eu to viajando mesmo!
Meus maliciosos pensamentos são interrompidos por um chamado:
- Sérgiooo? Sérgioooo vem aqui me ajudar um pouquinho...
Era a Laura, sua voz vinha de dentro da sala interna que ela foi fazer sei-la-o-que...Apesar de minha mente poluída como é, ainda não tinha caído a minha ficha.
Ao entrar na sala enxerguei uma cadeira dessas de salão de cabeleireiro, ao lado, Laura estava em pé olhando para mim com a mão na altura da cintura.
- O que foi Laura? Do que vc precisa – perguntei.
- Vem aqui mais perto.
Me aproximei...
- O que foi Laura?
- Nossa, senti uma tontura, por isso te chamei... me segura por favor se não vou cair!
Ela me pediu e logo colocou minha mão por volta da sua cintura.
- Calma, calma, senta aqui... (eu ainda inocente, juro).
Percebi que na realidade ela não estava nada tonta, me abraçou de uma forma como se eu tivesse enganchado nela, em seguida encostou seu pescoço no meu seguido de uma leve lambida nas costas da minha orelha.
Agora caiu a ficha...
Correspondi prontamente, comecei a beijá-la, que loucura, a mulher parecia que não beijava há anos, queria me engolir!
Logo a levantei numa mesinha ao lado e as caricias e beijos só aumentaram! Incrível, sem nenhuma palavra, meu coração disparava, adrenalina a mil, ainda mais que a porta da frente da sala principal estava aberta! Aquele misto de perigo deixa tudo mais excitante. E se chegasse outro cliente? Ô Bendito São Pedro, manda mais água que quero é me afogar!hahaha.

A coisa foi rolando, a mão foi rolando... me perdi naquele par de pernas maravilhosos e ela não desgrudava, que coisa fantasticamente louca! Essas coisas não acontecem! Não é possível, mas já que aconteceu, quero mais me esbaldar!
Ouvimos um barulho... mas não liguei muito. Ela mais esperta (as mulheres sempre são nesses casos) me empurrou e fez o famoso gesto do dedo em riste de fronte ao nariz, obviamente me pedindo silêncio. Foi então que meu mundo caiu, ou seja, a casa caiu!
Do salão principal ouvimos:
- Lauraa, Lauraaaa?
Pensei logo num cliente chato chegando em plena chuva, quando ela lança em tom desesperador, mas com voz de sussurro:
- Meu Marido!!!!
Não podia acreditar, isso era coisa de novela, filme, não era possível estar acontecendo comigo!
Vcs não tem idéia de como gelei naquele momento, imagine jogar um gato num canil de pitbuls, pois é... eu era o gato!
E chamar o marido da Laura de Pitbull é bondade... o cara era policial, sargento para ser mais exato e com várias premiações por sua boa pontaria. É, eu sei, vcs devem estar pensando agora, se eu sabia desse perigo todo, como me meti nisso?
Pois é gente... pensar com a cabeça de baixo ás vezes da nisso.
Pronto, morri... pensei...
- Laura, amor? Vc ta aí?
Ai... aquele “Laura amor” só aumentava meu desespero, fui mexer com um corno, que tem arma e é apaixonado pela mulher...to morto mesmo, não tinha dúvida...já estava pensando em tudo que vivi até ali.Aquele famoso minha vida passa por um segundo na nossa mente no momento da morte!
- Fica quieto, eu vou lá – me disse a Laura, baixando a saia e me deixando apagado (apagado? Que termo para eu usar agora!!!).
Tinha que pensar, tinha que pensar, pensa, pensa seu burro! No que fui me meter... fiquei escutando a conversa que vinha do salão principal para ver se tinha alguma idéia. Ta certo que ali é um salão de cabeleireiro, posso ser um cliente, mas quem deve teme né?
- Quem ta aí com vc amor? – perguntou o marido.
- Um cliente – respondeu Laura com a maior cara de pau e calma do mundo!
- Cliente, nesse feriado e com essa chuva? – Eita, o corno desconfiou.
- O que que tem amor? Que bom que tenho um cliente!
A essa altura eu já estava pensando em sair, fingir que era gay, mas essa é bem manjada... putz ...hoje eu morro!!...Comecei a olhar para o lado, precisava pensar rápido e coloquei na cabeça uma toalha, touca ou sei lá o que era na cabeça, respirei fundo e saí.
- Oi Laura, acho que já ta pronto – falei...
O olhar do marido era uma mistura de raiva com dúvida e sem contar que ele tava todo molhado, estava com uma camiseta branca e com a chuva dava para perceber o volume do “berro” na cintura do menino!
- Senta aqui para continuarmos – apontou Laura para a cadeira.
Fui caminhando em direção da cadeira, minhas pernas estavam bambas e o fulaninho me olhava de um jeito que tava vendo a hora dele cair dentro!
- Amor vai tirar essa roupa molhada, aqui vou demorar mais um pouquinho.
Ele entrou, não antes de ficar me medindo... que alívio.
- Seu louco! Disse Laura em voz baixa.
- Eu louco?
- Bem vamos logo. Disse ela , dessa vez não tão mais doce como tava antes.
Ela me chama de louco, pode até ser, mas ela não fica longe com sua “tontura”!
Ela tirou a touca e levei um susto, sei lá o que tinha lá, mas meu cabelo tava todo manchado de vermelho, castanho sei lá, tava uma bosta!
Com um sorriso irônico, ela me disse:
- Agora só fazendo luzes para arrumar!

Bem, resumindo. Acabei fazendo a tal das luzes para consertar a cagada, mas tava feliz de estar vivo. Prometi a mim mesmo que nunca mais me envolveria com mulher dos outros!
Claro que troquei de salão e nunca mais vi as belas pernas de Laura.
Hoje vou a outro salão.
Entrei e estava vazio, só não era feriado. Já tinha esquecido dessa história que contei, quando a bela cabeleireira morena me fala:

- E ai, o que vai ser hoje, vamos fazer luzes?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Ocasiões - Capítulo 1, Parte 2.

Continuação do conto "Ocasiões" postado dia 24/07/07.

No post anterior( cap 1, part 1):

...Fui me aproximando cada vez mais... Percebi que algo se aproximava de mim nas minhas costas e antes que eu pegasse minha arma e me virasse ouvi uma voz:
- Mão na cabeça e não se vire !
- Quem está aí?
- Cala a boca, não foi esse o combinado, me passa a encomenda.
- Vc deve estar me confundindo, não sei nada de encomenda.

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Ocasiões - Capítulo 1, parte 2:
- Vamos logo cara! Me passa a droga da encomenda!!!
Que Saco! Tenho que pensar rápido, não faço a menor idéia de encomenda ou de quem é esse cara.Será que dá tempo de sacar minha arma?...Arrisco ou não?...Apesar de nada a perder, ainda tenho a Sarah, para não dizer que perdi tudo!
- Escuta...Eu entrei aqui nesse beco de curioso...Juro que não sei de nada, vamos fazer assim, eu vou embora sem olhar para você, não te vi mesmo, não sei do que se trata e nem quero saber...
- Que conversa é essa? Pensa que sou trouxa? Vc com esse chapéu, ta com cara de policial, se bem que só um idiota para usar chapéu!
Ele tinha uma certa razão, devo ser o único ou último homem a usar chapéus nos dias de hoje...Mas fazer o que...Eu gosto...Só que meu chapéu não ta ajudando muito...Vejo que meu caro “novo amigo” ta perdendo a paciência.
Tive uma idéia...Só que antes de executá-la, senti o peso do cabo da arma do companheiro irritadinho na minha nuca...
...Tudo escureceu...

Capitulo 2, Parte 1.

Sarah levantou tarde, ainda pesava na sua cabeça as doses de whisky do dia anterior. Já tinha batido no despertador dezenas de vezes...
- Minha nossa, já são 11:00hs! Agora eu levanto...Ai...Minha cabeça...
Após uma longa ducha de recuperação, desceu as escadas em direção à mesa do café...
- Bom dia Dona Sarah!
- Bom dia Janeth.
- A Senhora quer que eu já te sirva o café, ou vai esperar seu pai?
- Meu pai ainda não tomou café?
- Não dona Sarah, o seu Jonh ainda não desceu e para falar a verdade, não ouvi um barulho sequer vindo do seu quarto, nem vi a que horas ele chegou, se é que chegou!
- Ai meu Deus, será que meu pai não chegou desde ontem? Me faz um favor Janeth, me serve o café e bate lá no quarto dele, veja se está lá...Será que teve outra crise? Só espero que não.
- Pode deixar Dna Sarah...Já vou ver... – Ah, o tal de Luiz Lim ligou de novo ontem!
- Ai...Que saco...Ele não desiste. Ele deixou algum recado?
- Não, falou que ligaria de novo.
- Ok Janeth...Obrigado.
- Com licença dona Sarah; Vou ao quarto do seu John ver se ele está lá ou se acordou.
- Ok Janeth...
O telefone começa a tocar...
- Janeth!! O telefone...Janeth!????? – Gritou Sarah...
- Caramba, vou atender esse telefone, o barulho dele faz parecer que eu estou com um quilo de peso na cabeça!
- Alô...
Sarah atendeu o telefone e ficou pálida, gélida, imóvel...Não acreditava no que ouvia...
...Continua...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Conto

Título: Ocasiões.

Capítulo 1, Parte 1.

Eram por volta de 2 horas da madrugada. Eu estava andando perdido pela noite fria. Chovia muito, cada gota de chuva que batia no meu chapéu era como uma avalanche desabasse em mim!
Perambulando pela cidade, pensando na minha solidão...
De como cheguei a esse ponto! Afastei todos de mim! Não tenho ninguém mais, não mais que importe!
Desço minhas mãos, não mais trêmulas, até dentro do meu casaco, tiro novamente a arma; engatilho e miro na boca...Não tenho coragem...Sou um covarde mesmo!
O que fiz da minha vida?! Ô droga de vida!
Após andar mais alguns metros, vejo uma luz vindo do meio de um beco quase totalmente escuro, parece uma lanterna em movimento. Não tendo há muito tempo, nenhum motivo para me preocupar com nada, nem com um provável perigo a minha vida, sigo até o beco e atendo a minha curiosidade!
A cena que vejo mudaria minha vida para sempre...só não sabia disso na hora! Uma pessoa que não pude identificar se Homem ou Mulher, pois usava uma capa com touca, estava calmante colocando algo no beco, ao perceber minha presença, colocou a luz da lanterna na minha vista. Por um momento ceguei e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, essa pessoa quase que me atropelando, me empurrou e saiu correndo do beco...
O Beco voltou a ficar totalmente escuro... Sem entender nada, mas com minha curiosidade aguçada, resolvi adentrar o beco.
Continuava muito escuro e percebi que tinha alguma coisa no chão, não conseguia identificar o que é, fui me aproximando... Nem medo, nem receio, nada disso vinha a minha cabeça, na verdade queria até que tivesse uma bomba lá e que explodisse quando mexesse nela, assim acabaria com todo meu tormento e agonia.
Fui me aproximando cada vez mais... Percebi que algo se aproximava de mim nas minhas costas e antes que eu pegasse minha arma e me virasse ouvi uma voz:
- Mão na cabeça e não se vire !
- Quem está aí?
- Cala a boca, não foi esse o combinado, me passa a encomenda.
- Vc deve estar me confundindo, não sei nada de encomenda.

...Continua...